Julho 23, 2008...3:05 am

DES-ensinando a viver

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No fantástico mundo de Bobby Generic a imaginação pode virar realidade a cada novo desenho. Bob tem uma cabecinha que já permitiu viagens espaciais e submarinas, com seu fiel escudeiro – o cachorro Roger e mais o grande aliado – Tio Ted. No filme Ensinando a Viver (The Martian Child/2007) do diretor Menno Meyjes, Bobby é Dennis (Bobby Coleman), Ted é David Gordon (John Cusack) e Roger é o cachorro Algum Lugar (Somewhere). Isso mesmo Algum lugar é um grande cachorro que talvez seja o intermediário da comunicação entre Dennis e David e de David ao mundo real.

 

David como tio Ted é um meninão que ganha à vida escrevendo ficção científica, ele vê a vida de uma grande espaçonave.  Esta, cada vez mais distante da terra, após a morte de sua noiva. Em outra órbita, está Dennis, em um orfanato, onde desenvolve segundo seus próprios pensamentos, um rastreamento dos terráqueos. Dentro de uma caixa de papelão vive isolado, longe do sol e de todos. De acordo com sua teoria, se sentir os raios solares, pode desaparecer. São luzes muito fortes impróprias as crianças marcianas. Esses universos tão parecidos e ao mesmo tempo diferentes em afetividades se encontram quando David decide adotar uma criança.

 

A história em si é mais uma sobre instituição família, adoção, criação, formação de indivíduos, no entanto, tem algo em Ensinando a Viver, obviamente que não é a tradução do título, que envolve um purismo e diálogos sem muitos clichês. Além de envolver atores interessantes e pontuais a determinados trabalhos, como Joan Cusack, irmã de John, que interpreta Liz como mantenedora do sangue familiar. E também Amanda Peet, como Harlee, amiga de David, que como em qualquer final água com açúcar terminam juntos e Angélica Houston, como Mimi, editora de David. Uma pequena participação mais refinada sempre com a própria atriz.

 

Fugindo do que diz o titulo em português, o filme ensina a viver de forma diferente, mostra que a imaginação é corrente energética de uma geração basicamente sem ela, de crianças filhas de computadores, sem base para contar qualquer história de algum livro interessante. Em uma cena, David ao invés de chamar atenção de Dennis por quebrar um objeto, ele incentiva a quebra de outros, como manifestação de raiva executada por meio de uma ação normalmente errada a qualquer olho. Mas daqueles marcianos, um ato precioso de sobrevivência em uma sociedade cheia de manuais antiquados. O desenho que inicia o texto poderia retornar para podermos ao invés de assistirmos Power Rangers, enxergarmos que o mundo precisa ser salvo não dos monstros e sim desses bonzinhos ficcionais. Um divertimento para férias de alguns bons samaritanos!

 

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