Qual é o substantivo a(própria)do?
Apropriação do sofrimento?
Apropriação dos outros gratuitamente?
Muitas são as perguntas para quem nada tem ou não deseja ter. Um vazio constante. Uma pedra entalada em todos os sentidos da existência. Não encontrei resposta a tolice.
Designer interessante, câmera efusiva e dura. Estética da apropriação de outro contexto.
A história em si não diz nada a que veio.
Os objetos que deixaram a casa vazia de alguns membros da equipe de arte do filme, como demonstram os agradecimentos ao final da exibição, não conseguiram preencher a alma de Nome Próprio (2007) do diretor Murilo Salles.
A própria Clarah Averbuck, escritora de “Máquina de Pinball” e “Vida de Gato”, livros dos quais o filme faz livre referência, também não o achou suficiente.
Indiferente, pois Averbuck parece nem mesmo gostar dela própria. Se é que ela consegue isso ou tenta transmitir em seus blogs e seminário que participou em Belo Horizonte. Como afirma “não escreve para ninguém, simplesmente é uma necessidade…”
A atriz Leandra Leal esbanja maturidade na protagonista Camila, no entanto a direção não contribui. Cenas de nudez gratuitas, exposições de atuações desnecessárias, como a cena em que Camila toma banho e o ralo entope. Talvez uma metáfora ao esgoto concentrado da vida da protagonista.
Em contrapartida, “culhões” realmente é o que não falta a Camila: nunca ter teto próprio, se esbaldar em remédio, cigarros e bebidas para ser uma escritora. Definitivamente precisa de coragem para saber se deteriorar a custa de outros. Julgar é uma merda, mas definitivamente nada me foi deixado por nome próprio a não ser dar nomes…

3 Comentários
Julho 25, 2008 às 1:56 am
MUITO BOM! assino embaixo…
Julho 30, 2008 às 10:16 pm
Até que gostei do filme, achei muito boa a atuação da Leandra Leal. Só não curti os textos da Clarah nem as projeções de textos na parede. Também não achei as cenas de nudez desnecessárias. No total, achei médio. Vc foi cruel.
Outubro 9, 2008 às 5:53 am
Olha, eu achei os enquadramentos do filme bem escolhidos. Achei um pouco vazio a abusiva técnica de ficar escrevendo os poemas na parede…
Eu sou um pouco suspeito pra falar pois não gostei muito da escrita da Clarah Averbuck.
Também achei a Leandra Leal brilhante no filme.
Quanto à nudez, bem, talvez ela faça um diálogo com a “nudez” da própria vida da personagem Camila. Não me incomodou tanto.
Apesar de tudo o filme ainda consegue prender as pessoas pela história.
ps.: minha namorada quem me indicou seu site. ela é sua amiga. (a Bo)
abraços,
Erick
erickcristiano@yahoo.com.br