Setembro 13, 2008...12:51 pm

O Nevoeiro

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O que pode ser mais aterrorizante que o ser humano, quando colocado em um contexto em que não há leis sociais? Para o diretor Frank Darabont, nem criaturas gigantes com asas e tentáculos, escondidas em um nevoeiro, conseguem ser pior que seu semelhante em tais condições.

Uma tempestade assola uma simpática cidadezinha norte-americana, e junto com ela um nevoeiro começa a se formar e a avançar. Para reabastecer suas casas antes de uma nova surpresa climática, os habitantes do lugar vão a um supermercado, o que provoca uma pequena bagunça, agravada pela falta de energia causada pela chuva. O nevoeiro continua a avançar quando, de repende, um homem sai sagrando do grande branco que virou a cidade. Ele diz que há criaturas na névoa. Se, boa parte da população do supermercado não acredita em um primeiro momento, a situação muda quando um garoto é morto pelos tentáculos do ser estranho.

Com o supermercado envolto pelo nevoeiro, todos ficam presos. É a deixa para o discurso da fanática religiosa Mrs. Carmody (Marcia Gay Harden, na grande atuação do filme e, talvez, a maior de sua carreira) crescer. Para ela, as criaturas são um castigo de Deus. Na pequena síntese de sociedade formada no supermercado, todos vão obtendo papéis, e o dela, é o que desestrutura o que já está desestruturado. Ao longo da história, Carmody vai plantando sementes de fanatismo na cabeça de cada um dos habitantes desta mini-sociedade, já que, como no mundo real, idéias fanáticas acabam virando respostas para alguns mistérios do mundo.

Lógico, há o filme de monstro. Há o héroi, as cenas de tensão, as de ação. Tudo bem orquestrado por Darabont. Mas O Nevoeiro é de Mrs. Carmody e a construção dessa parcela de seres humanos que passam a conviver juntos. O filme podia ser só isso, e os monstros, se bobear, poderiam aparecer com menos intensidade do que já tem. Pena que Darabont não abriu mão das criaturas e fez sua pequena homenagem à filmes de terror dos anos 80. O que, em nenhum momento, tira os créditos do diretor. Quarta obra de Stephen King que ele adapta, aqui ele mostra suas habilidades de uma forma discreta. Alguns movimentos de câmera são particularmente interessantes, como quando filmando em plano geral o caos entre as pessoas, ela se aproxima do rosto de David, o héroi da história,e oferece a vista do espectador a expressão petrificada (ou algo parecido com isso, já que com o ruinzinho Thomas Jane tudo fica um pouco limitado) do homem, diante da situação que começa a tomar forma. 

Some a tudo isso um final corajoso para os padrões hollywoodianos e temos um filme de monstro, ou melhor, um filme de humanos acima da média.   

1 Comentário

  • Eu gostei do filme. Só não gostei do q eles fizeram no fibal. Dentro do carro. Achei burrice!

    O texto ta mto bom!

    Aaahhh… e é bom q nem o péssimo ator q faz o protagonista estraga o filme.


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