Não deixe de ver Marley e Eu porque você detesta filmes com animais. Provavelmente, assim como boa parte dos espectadores lúcidos, você não curte produções nas quais os animais são mais espertos do que qualquer ser humano que você conheça. Assim como você odeia crianças que mais parecem adultos em miniatura, também não é muito fã de baleias que viram melhores amigas do garotinho, ou de um cachorro que se apaixona por um golfinho ou de um papagaio que conversa fiado com Tony Shalhoub. Acertei?
Se a resposta for positiva, vá assistir Marley & Eu sem esse medo. Marley é um cachorro normal como qualquer outro. É esperto e tudo mais, mas nada que vai fazê-lo pensar que o bicho conseguiria resolver uma expressão matemática.
Porém, se o roteiro de Scott Frank e Don Roos, baseado no fenômeno editorial homônimo, não coloca o filme nos ombros do cão, não existe muito interesse em assistir a história humana que se desenrola paralelamente às trapalhadas de Marley. Ao acompanhar o casal John e Jennifer Grogan, desde o começo do casamento até a construção de uma família, passando por crises, alegrias, gravidez, promoções e decepções, Roos e Frank, roteiristas talentosos, e David Frankel, o diretor, mostraram que não tiveram um poder de síntese que seria importante para contar uma história que se passa por tanto tempo.
Owen Wilson é engraçado, mas não dá conta das cenas dramáticas; Jennifer Aniston mostra, novamente, que é uma atriz versátil; Alan Arkin prova que mesmo no piloto automático é melhor que muito ator por aí e o tempo não fez nada bem para Kathleen Turner.
Marley e Eu é simpático, mas esquecível. Depois da sessão a única coisa que você vai se lembrar é que o cachorro é bonitinho. E só.
1 Comentário
Fevereiro 12, 2009 às 1:24 pm
Assisti num dia em que passava o tempo enquanto agardava um compromisso. Era o único que o horário encaixava.
Apesar de ser um filme com animal (nada contra, apenas não faz o meu tipo) sua tensão dramática não está inserida apenas no cão, mas possui desdobramentos na vida profissional e afetiva do casal.
Este é o grande diferencial. Todavia, Owen Wilson realmente não consegue dar conta das cenas dramáticas, mas não foi sofrível como achei que fosse, ouvi dizer que até o livro é bom.