Família é um tema recorrente na cinematografia de Christophe Honoré, discutido “Em Paris”, “Canções de Amor”, “La Bella Junie”, cada um em seu núcleo especifico. Em “Não minha filha, você não irá dançar” a mais velha de um casal de três filhos, é a protagonista da história. Léna (Chiara Mastroianni) está perdida e sufocada com a separação e a criação de dois filhos, um deles pré-adolescente Anton (Donatien Suner), que é o único que talvez saiba entender ou tenta entender a mãe. Em uma leitura que faz para Léna, Anton conta uma história bretã sobre uma bela jovem que só se sujeitava a casar com um homem que dançasse por 12 horas seguidas, nada mais que a metáfora da vida de sua mãe. Nenhum homem conseguiria tal primazia, no caso de Léna, uma mulher instável e inconstante é difícil acertar os passos da dança.
O filme se passa basicamente no reencontro familiar na casa dos pais de Léna, Michel e Annie (Fred Ulysse e Marie-Christine Barrault) que se preparam para uma viagem romântica a Roma. Nesse meio tempo, Michel descobre estar doente. Léna está sufocada. Fréderique, a irmã do meio de Léna, que mesmo grávida de seu segundo filho não consegue parar de fumar um cigarro atrás do outro enquanto briga com o marido. E o outro irmão Gulven (Julien Honoré, irmão de Christophe) é um ser livre e talvez o mais sensato naquele momento. Parece existir um diálogo bem primordial do papel feminino dentro da família. Por mais fragéis seres, a última decisão pode estar nas mãos das mulheres. E tal responsabilidade do dar conta, de ser boa mãe, boa amante, boa dona de casa, boa trabalhora, que as escolhas são esquecidas por todos, inclusive por elas.
Anton tomará a decisão da lucidez ou representa o suspiro do mergulho profundo de Léna. Ao mesmo tempo, tal lucidez será a abertura para todos os outros personagens. A dança de Honoré na qual a filha não participa é a valsa de sua própria vida. Uma discussão sobre a família francesa contemporânea que aguça sensações de querer entender melhor quais são essas histórias e porque Léna se perde tanto em si. Será que o vazio existencial e a prepotência cultural francesa dissolveram os sentimentos?
Direção: Christophe Honoré
País: França
Ano: 2009 Elenco: Chiara Mastroianni, Marina Foïs, Marie-Christine Barrault, Louis Garrel, Jean-Marc Barr, Fred Ulysse, Julien Honoré, Marcial Di Fonzo Bo, Alice Butaud, Donatien Suner
Produção: Béatrice Mauduit
Roteiro: Geneviève Brisac, Christophe Honoré
Fotografia: Laurent Brunet
Trilha Sonora: Alex Beaupain
