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Não minha filha, você não irá dançar

janeiro 10, 2011


Família é um tema recorrente na cinematografia de Christophe Honoré,  discutido “Em Paris”, “Canções de Amor”, “La Bella Junie”, cada um em seu núcleo especifico. Em “Não minha filha, você não irá dançar” a mais velha de um casal de três filhos, é a protagonista da história. Léna (Chiara Mastroianni) está perdida e sufocada com a separação e a criação de dois filhos, um deles pré-adolescente Anton (Donatien Suner), que é o único que talvez saiba entender ou tenta entender a mãe. Em uma leitura que faz para Léna, Anton conta uma história bretã sobre uma bela jovem que só se sujeitava a casar com um homem que dançasse por 12 horas seguidas, nada mais que a metáfora da vida de sua mãe. Nenhum homem conseguiria tal primazia, no caso de Léna, uma mulher instável e inconstante é difícil acertar os passos da dança.

O filme se passa basicamente no reencontro familiar na casa dos pais de Léna, Michel e Annie (Fred Ulysse e Marie-Christine Barrault) que se preparam para uma viagem romântica a Roma. Nesse meio tempo, Michel descobre estar doente. Léna está sufocada. Fréderique, a irmã do meio de Léna, que mesmo grávida de seu segundo filho não consegue parar de fumar um cigarro atrás do outro enquanto briga com o marido. E o outro irmão Gulven (Julien Honoré, irmão de Christophe) é um ser livre e talvez o mais sensato naquele momento.  Parece existir um diálogo bem primordial do papel feminino dentro da família. Por mais fragéis seres, a última decisão pode estar nas mãos das mulheres. E tal responsabilidade do dar conta, de ser boa mãe, boa amante, boa dona de casa, boa trabalhora, que as escolhas são esquecidas por todos, inclusive por elas.

Anton tomará a decisão da lucidez ou representa o suspiro do mergulho profundo de Léna. Ao mesmo tempo, tal lucidez será a abertura  para todos os outros personagens. A dança de Honoré na qual a filha não participa é a valsa de sua própria vida. Uma discussão sobre a família francesa contemporânea que aguça sensações de querer entender melhor quais são essas histórias e porque Léna se perde tanto em si. Será que o vazio existencial e a prepotência cultural francesa dissolveram os sentimentos?

Direção: Christophe Honoré
País: França
Ano: 2009 Elenco: Chiara Mastroianni, Marina Foïs, Marie-Christine Barrault, Louis Garrel, Jean-Marc Barr, Fred Ulysse, Julien Honoré, Marcial Di Fonzo Bo, Alice Butaud, Donatien Suner
Produção: Béatrice Mauduit
Roteiro: Geneviève Brisac, Christophe Honoré
Fotografia: Laurent Brunet
Trilha Sonora: Alex Beaupain

Persépolis

outubro 31, 2008

 

Mudar o mundo é uma utopia, ação ou qualquer mera coincidência para inúmeras pessoas de coração bom. Que conseguem ter uma visão crítica e fazer uma análise mais otimista do nosso mundo, digamos, bastante esquisito. E para os orientais, a visão de mundo é mais ampla ou pelo menos diferente do que nós – pessoas do ocidente. As regras de lá não são tão balelas quanto às regras de cá. A religião não é tão fanática se compararmos às projeções neuróticas monetárias de cá.

 

Enfim, nossa geração, ainda não conhece o que de fato possa se chamar de guerra anacrônica ou pelo menos ter sentimentos mais próximos disso, até porque os jovens, pelo menos os brasileiros que conhecemos melhor, não têm em suas vidas, a maioria deles, uma política formada, talvez e por si só pequena, mais conformada. As últimas eleições para prefeito e vereador, não me deixa mentir sobre isso. É por isso que a animação Persépolis, baseada no livro homônimo da iraniana Marjane Satrapi e dirigido também por ela e por Vincent Paronnaud é um belo filme para recuperarmos nossos pensamentos de outrora.

 

Marjane “Marji” Satrapi (voz Chiara Mastroianni) era apenas uma garotinha iraniana de oito anos quando a revolução islâmica derrubou o xá do Irã, em 1979. Até então ela sonhava em ser profetisa para mudar o mundo. Bisneta do antigo rei da Pérsia, ela cresceu em uma família de esquerda, moderna e ocidentalizada, e estudou numa escola francesa e laica. Com a chegada dos extremistas ao poder, as meninas foram obrigadas a usar o véu na escola e estudar em classes separadas dos meninos.

 

Bastante curiosa e questionadora, Marji assistiu ao início da revolução que lançou o Irã no regime xiita, e de espectadora crítica e atenta descobre que melhor que ser profetisa é ser revolucionária e que usar hijab (o véu sagrado que zela pelo recato das mulheres muçulmanas) é uma grande besteira criada pelo regime opressor persa contra a liberdade feminina. No caminho, ela ainda descobre que Marx pode ser melhor que Deus ou que os dois são a mesma pessoa. Que descobrir o mundo, além do Irã, pode ser sofrido quando sente o que pode ser uma grande desilusão amorosa ou ainda descobrir que identidade é uma pedra preciosa de toda formação humana.

 

O longa de animação é uma adaptação do livro de mesmo nome escrito e ilustrado por Marjane Satrapi, é uma autobiografia primorosa e divertida sobre a realidade sofrida e bastante feliz de uma menina de olhos doces e idéias mirabolantes que depois de anos consegue mobilizar uma guerra contestatória a política ditatorial do Irã utilizando as mãos e o nanquim. Tecnicamente são traços em preto e branco belíssimos, que traz uma esfera meio noir, meio bucólica. Tendo como seu braço forte de questionamento e companheirismo, a avó (voz de Danielle Darrieux), que ainda apresenta os melhores e mais irônicos diálogos do filme e permite um ar de poesia em quadrinhos.

 

E ainda temos a refinada voz de Catherine Deneuve, como mãe de Marjane. Uma aula de história e reflexão sobre um dos países mais econômica e culturalmente rico do mundo. Atualmente Marjane vive na França e como no filme, ela sai do Irã pela segunda vez para nunca mais retornar. E quem sabe um dia o filme se passe no próprio país-personagem. Até porque, isso será uma luta que talvez Marji não queira entrar. Segundo alguns jornais, o governo iraniano já boicotou a exibição do filme porque credita que é uma propagação de uma imagem distorcida e denigre os valores do Irã e do Islã. De qualquer forma, o filme foi o representante francês para a disputa do Oscar deste ano. E isso já é uma grande vitória!

 

MovieMobz

O filme Persépolis já saiu de cartaz há alguns meses, no entanto houve uma única exibição mobilizada no dia 30 de outubro de 2008, no Usina de Cinema, em Belo Horizonte. Havia mais de 50 pessoas na sala. Número raro para uma sessão em plena quinta-feira, às 21h, paga. Isso é resultado de uma idéia interessante de mobilização para ver ou rever filmes que passaram ou não pelas capitais. No site www.moviemobz.com, você se cadastra, escolhe o filme que está em cartaz no site, mobiliza as pessoas e a sessão acontece por apenas R$6 nos cinemas conveniados com o MovieMobz. Participe!

 

Uma garota dividida em dois

outubro 14, 2008

 

Numa dualidade comedida, entre futilidade e refinamento primoroso, o diretor francês Claude Chabrol, não excede em absolutamente nada em seu mais recente filme Uma Garota Dividida em Dois (La Fille Coupée en Deux ). Pelo contrário, joga tudo o que quer dizer ali na frente do espectador e demonstra que aquilo que vemos é tudo aquilo que queria ser dito, sem mais ou menos, ou até mesmo sem trocadilhos. Inclusive a originalidade da cena final que não peca em nada e traz um grande fechamento daquele mundo de vaidade, tanto do bem quanto do mal. E é muito sutil como Chabrol trabalha esses dois universos nas figuras de uma esposa considerada santa, Dona Saint-Denis (Valerie Cavalli), sempre composta por um figurino branco e sua editora, Capucine Jamet (Mathilda May) sempre vestida com roupas pretas em cena. Uma mistura singela entre a deusa e a diaba. O número dois aqui não é mera coincidência, sempre há dois lados em toda sua narrativa.

 

Mas o filme não se concentra nisso, apesar de cada detalhe falar por si só, a história é baseada na vida da apresentadora de metereologia, Gabrielle Deneige (Ludivine Sagnier), de 25 anos, que se apaixona perdidamente pelo escritor Charles Saint-Denis (François Berléand), ao mesmo tempo o jovem milionário e totalmente desequilibrado, Paul Claude Gaudens (Benoit Magimel) se apaixona por ela, mas sem esta retribuir. Na verdade nessa história, Chabrol não posiciona muito o tempo e nem mesmo as motivações de cada personagem, pois não sabemos por que ela em único dia apaixona pelo escritor 30 anos mais velho e nem mesmo conhecemos as reais intenções do herdeiro jovem, bonito e rico. No entanto, talvez isso seja o que menos importa.

 

O jogo de câmera que Chabrol apresenta é um jogo de perspicácia casada de maneira sublime com a trilha sonora feita pelo seu filho Matthieu Chabrol. A introdução do filme tem imagens belíssimas com um ar de jantar com vinho. É delicioso acompanhar a câmera no carro ao som de música clássica. É quase um túnel nostálgico sem saída para a atualidade inesperada. Um livro sem ter aberto. Uma leitura suntuosa e hostil. Um fragmento de doçura como uma cereja na ponta do sorvete. Chabrol é surpreendente e proporciona aos espectadores uma seleta seleção de atores, estética, música e história. E obviamente uma crítica ácida, seja contra a televisão ou costumes frívolos sociais ao mesmo tempo em sintonia com o amor e as tragédias que ele pode ocasionar sem medida.

Andarilho

agosto 26, 2008

 

 

Nada melhor que começar a semana assistindo ao um bom filme, tomando uma boa cerveja depois e comer salgados finos deliciosos gratuitamente. E mais: ganhar o DVD com o documentário Tomba Homem das mãos do próprio diretor Gibi Cardoso (filme que terá sua estréia no Festival Indie em outubro). E olha que nessa segunda (25) acordei nem tão bem, com um pouco de preguiça da vida, mas terminei com boas reflexões existenciais e uma vontade louca de pegar mochila e estrada, sem rumo. Andarilho é o novo filme de Cão Guimarães que estréia semana que vem nos cinemas brasileiros. Nesta segunda, ocorreu a pré-estréia com direito a presença dos realizadores e coquetel posterior no Usina de Cinema, em Belo Horizonte.

 

Um filme de imagens, silêncio e poucos diálogos não tão compreendidos em sua totalidade. Belíssimas paisagens de uma estrada sem linhas retas com pessoas sem identidades fixas. Uma trilha sonora enigmática do Grivo e uma fotografia de dar dó aos olhos sem percepções e pouco sensíveis aos detalhes. Pego a escrever um diário de bordo daqueles que estão sempre a buscar algo talvez sem resposta. Um muro sem parede, uma alma sem volta. Quem são essas pessoas que nunca estão ali, parados? Seres incessantes à inquietude.  

 

Por que não vamos? Sem cogitar uma fuga ou dar explicações ao acaso. Vamos. Vamos? O sentir pode vir daquele momento que somos sombras na pedra ou que só enxergamos uma luz do farol numa noite quieta das estradas. Somos pólvoras em um plástico que rola na terra. Seres estranhos num ambiente transitório. Será que precisamos do outro para nos encontrar ou nos encontramos imersos na solidão? As perguntas que fazemos a nós mesmo são respondidas sozinhas ou em conjunto ao silêncio?

 

Cão Guimarães é um artista plástico, onde a grande tela das salas de cinema são suas pinturas em movimento. Cada plano é um quadro de sua exposição sobre a solidão. Andarilho é o segundo filme dessa trilogia (O primeiro é Alma do Osso lançado em 2004) e retrata a relação entre o caminhar e o pensar segundo a ótica de três andarilhos solitários que percorrem trajetórias distintas em estradas do nordeste de Minas Gerais. É a vida como um lugar de mera passagem.

 

Alma, Deus, anjos e o apocalíptico. Um dos andarilhos explica sua concepção de mundo, sua estrutura histórica de vida e um possível final para todos nós. Esse é o início de uma estrada dentro do filme. Explicações ora entendidas ora consideradas devaneios para aquele que conta e nós que ouvimos. O outro joga pedrinhas, como se fossem, cada uma delas, histórias, que vão para trás ou são memórias que já perdemos. O outro traz o senhor é deus como um outdoor em rodas. Um carrinho que caminha e prega como o condutor que distingue a importância dos pontos de vistas daqueles que vêem de estradas diferentes e que não necessariamente seguem uma direção. A viagem é aquele espaço livre da vida. Só vai a algum lugar aquele que procura.

 

www.caoguimaraes.com

 

O Retorno de Zé do Caixão

agosto 25, 2008

Reestreiou, na última sexta, dia 22 de agosto, o filme Encarnação do Demônio, de Zé do Caixão. Passando inicialmente em cinemas de shopping, o filme do coveiro que procura a mulher para gerar o filho perfeito, não foi bem de bilheteria, saindo de cartaz depois de uma semana. Agora, a reestréia é a chance de o público assistir uma obra como poucas no Brasil. Para alguns críticos, um dos filmes mais ousados da cena contemporânea do audiovisual brasileiro. Análise do filme na Revista Cinética e no Filmes Polvo. Em breve colocaremos a nossa. Ainda não vimos o filme. Mas, vamos prestigiar Zé do Caixão, um dos grandes ícones brasileiros com uma longa história cinematográfica.

 

Os Desafinados

agosto 21, 2008

 

Não estamos numa fase de boa colheita no país. Talvez seja o clima, muito quente para um inverno. Depois de Era uma Vez… e Nome Próprio, estréia Os Desafinados do diretor Walter Lima Júnior. Literalmente música ruim aos ouvidos. Toda a falta de sintonia é percebida do início com a vontade de demonstrar os sentimentos de uma geração de jovens que realmente fizeram algo nas décadas de 60 e 70 até o final do filme, entre imagens cheias de clichês do desejo de escancarar a globalidade da bossa nova. O que se faz bem aos nossos ouvidos é a trilha, mas isso já havia sido criado.

 

Em meio à falta de criatividade e nenhuma novidade, Os Desafinados é uma grande novela, com uma narrativa simples, tendo como protagonismo à história de amor entre dois músicos. Bossa Nova que é bom só nas músicas. Nada de informações documentais e nem mesmo uma ficção coesa. Um grupo de jovens amigos músicos viaja a Nova York para tocar num concerto no Carnegie Hall e tendo seus planos frustrados, acabam entrando num pequeno clube de jazz no Village. Relembra muito aqueles programas dominicais da televisão, onde bandas se apresentam com playback. Um verdadeiro karaokê de farofa brasileira.

 

Política, em meio a um histórico de ditadura militar, música, um dos gêneros brasileiros de maior repertório e reconhecimento, e um leque de interessantes atores da nova geração do cinema brasileiro. Mas nem mesmo a junção dessa tríade possibilitou uma formação significante para comemorar a bossa nova em grande estilo. O período militar talvez tenha sido salientado pela grande produção do filme, que precisou ir até Buenos Aires, na Argentina e Nova York, nos Estados Unidos para contar uma historinha de amor.

 

 

Quem disse que é fácil?

agosto 6, 2008

Frustramos porque acreditamos em algo ou alguém dentro de nossas expectativas, de nossas redomas. A perspectiva criada por cada um nem sempre é de fato tão bem delineada como pinturas de tetos do mestre Athaide. Na igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto (MG), o espectador que olha para cima ao entrar naquele espaço, parece estar diante de um céu natural. No entanto, todas as pinturas de Athaide enganam os sentidos. É a sensação visual de profundidade e ilusão. Os seres humanos também praticam suas pinturas ilusionistas, mas quando estas vêm com tinta fresca cor vermelha, aí damos um pulo do barroco para o moderno. Ou seja, continuaremos frustrados se realmente batermos na tecla de que todos devem ser iguais a nós mesmos ou ainda ter algum tipo de afinidade.

 

O filme argentino Quem disse que é fácil? (Quién dice que es fácil?) de Juan Taratuto, espelha as diferenças e as possibilidades de que pode dar certo os opostos, mas eles não se atraem e nem são fáceis de lidar. As deficiências do filme são visíveis logo no início: muita caricatura para uma única personagem, conversas cheias de clichês entres os amigos que não conseguem crescer e se distraem com brinquedos infantis – uma forma de suprir carências mais palpáveis. Em alguns momentos me lembrou muito Virgem aos 40! (The 40-Year Old Virgin/2005) do diretor Judd Apatow, a história do primeiro não tem muito a ver com o segundo, mas as personagens com seu 40 e poucos anos são realmente parecidíssimas, inclusive nos trejeitos e no figurino. De toda forma, o argentino ainda é melhor, até pelas boas locações, trilha e atuações.

 

Andrea (Carolina Pelleriti) é fotógrafa, tem uma visão de mundo de soltura, sem aprisionamentos, lugares, relações e afetividades. Já Aldo (Diego Peretti) é retraído, solitário, não consegue nem mesmo bater uma boa punheta sozinho.  O encontro dos dois dá para imaginar. Mas o que de diferente tem nessa diferença, aqui se pede a redundância, são alguns diálogos sensacionais, principalmente entre os dois protagonistas quando iniciam uma primeira briga de casal na sala. Ou ainda a cena do jantar de Andrea e Aldo com o pai do último – Roberto (Andrés Pazos). Como também a cena final que reconstrói um dos primeiros planos do filme. É uma comédia sem muitas felicitações, mas pode trazer algum reflexo àqueles que ainda desejam parejas de novela romántica y no se dan cuenta de la diversión de unos a otros en la búsqueda de alguien desconocido a su techo.

 

BATMAN – O Cavaleiro das Trevas

julho 31, 2008

Sempre tentei fugir de ser carta branca nas brincadeiras em família. Aquele tal de café com leite me fazia sentir mais um patinho feio. Mas definitivamente agora meu desejo maior é ser coringa em todos os jogos e quem sabe até no nosso querido capitalismo. Quem sabe vale a pena ter planos mirabolantes e tornar as vítimas todos os palhaços da eternidade. A política brasileira implora para isso. Ao contrário do que imaginaria todos os figurinos o morcego retorna com força total e o coringa com mais fôlego ainda. Em cartaz BatmanO Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight), dirigido e muito bem por Christopher Nolan.

Câmera nervosa, edição estilo papa-léguas, atuações primorosas entre um leque de estrelas muito lisonjeadas por não ser plutão. Christian Bale (Bruce Wayne/Batman), Michael Caine (Alfred), Heath Ledger (Coringa), Gary Oldman (Gordon), Aaron Eckhart (Harvey Dent/Duas Caras), Maggie Gyllenhall (Rachel) e Morgan Freeman (Lucius Fox) não deixam a tensão pecar na história já conhecida do cavaleiro das trevas. Mas por mais que seja conhecida, novas figuras trazem uma releitura surpreendente de Gothan City e seus inúmeros problemas com a corrupção e o dinheiro mais que impecável na luta do bem contra o mal. E já que um não vive sem um outro, porque não apenas brincar com o psicológico daqueles que perderam as esperanças de que o mundo possa mudar para melhor. Na psicanálise freudiana, os recalques considerados loucos de Coringa têm lá suas justificativas. E por que não jogar cartas com ela?

Sem ele Batman não seria nada. Bruce Wayne com toda ostentação seria mais um entre todos do universo da playboylândia. Mas como Deus só se faz justo à custa do Diabo, vamos saldar a todos os Bacos existenciais contemporâneos. Cada vez os estudos do senhor Lucius Fox tornam o vestuário do Batman eficaz e conseqüentemente proporciona aos espectadores cenas de ação cada vez mais sensacionais. Como aprimoramento, os diálogos ficam ácidos e irônicos como pede os quadrinhos da década de 30. Ou não. Isso só mesmo vendo, revendo e querendo por algum motivo ser morcego, ganhar a noite e escutar Nirvana naquele bat carro. Ao invés de comer coquinho, como qualquer animal vampiresco de cinco centímetros que voa, podemos enriquecer nossas histórias de super heróis. E torná-las cheias de sorrisos com a marca inconfundível de Heath Ledger.

DÁ-LHE BATMAN

Batman – O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight). EUA, 2008

Batman Begins (Batman Begins). EUA, 2005

Batman & Robin (Batman & Robin). EUA, 1997

Batman Eternamente (Batman Forever). EUA, 1995

Batman – O Retorno (Batman Returns). EUA/Reino Unido, 1992

Batman – O filme (Batman). EUA, 1989

Batman (Batman – O Homem Morcego). EUA, 1966

Batman. EUA, 1943

Batman e Robin (Batman and Robin). EUA, 1949

 

Era uma vez…

julho 31, 2008

 

Era uma vez um filme. Que não passou de uma tentativa. Plagiando os bravos, emudeço aos contos de fatos do urbano – Romeu e Julieta feijoada brasileira. Falar que os filmes nacionais estão cada vez mais com produções qualificáveis já não é mais novidade. Ou seja, cadê o bom roteiro e direção, aquelas histórias que todos demoram a digerir, que fica ali rodopiando a máquina cerebral? Cacete de agulha, gastar dinheiro sempre foi fácil, agora valorizá-lo é quase uma raridade no país.

 

Era Uma Vez é o segundo longa-metragem do diretor Breno Silveira, o primeiro não cito mais do que o título (Dois filhos de Francisco/2005) porque ainda não animei a conhecer a vida dos famigerados. No máximo uso dos clichês vem à tona àquela velha história do morro (Cidade de Deus/ 2002 e Tropa de Elite/2007), só que a violência é quase protagonista, mas não por ela só, o primeiro plano ganha um romance entre a garota rica Nina (Vitória Frate) e Dé (Thiago Martins), adivinhem? O menino do morro pobre e honesto. Ah! Poderia ainda trazer outra referência: Ônibus 174 (2002), filme de José Padilha. No entanto, esse não encaixa dentro do que foi citado acima, de qualquer forma segundo Breno Silveira o final de Era uma Vez foi inspirado em Ônibus 174. Será que isso que li é verdade?

 

Por falar em estranhezas o roteiro do filme foi escrito por Patrícia Andrade e com a colaboração de Domingos de Oliveira. E temos uma cena espetacular. Enquanto Dé tenta se aproximar da gatinha Nina na praia de Ipanema, um signo literário quase pula aos olhos do espectador. É o livro Cidade Partida de Zuenir Ventura. A leitura vale à pena, mas a intenção é quase-auto-explicativa-desenha. Mas vamos falar de coisas boas. A atuação de Rocco Pitanga interpretando Carlão, o próprio Thiago Martins como o protagonista e Cyria Coentro como a mãe de Dé são aplaudidas. Aí vem o final e estraga tudo. E posteriormente, já nos créditos, a banalidade reina sobre a lição de moral da história. Aqueles que saem da sala de exibição antes disso, como a maioria das pessoas, dessa vez são os mais felizes.

Nome próprio de quem?

julho 24, 2008

 

 

Qual é o substantivo a(própria)do?

Apropriação do sofrimento?

Apropriação dos outros gratuitamente?

Muitas são as perguntas para quem nada tem ou não deseja ter. Um vazio constante. Uma pedra entalada em todos os sentidos da existência. Não encontrei resposta a tolice.

Designer interessante, câmera efusiva e dura. Estética da apropriação de outro contexto.

A história em si não diz nada a que veio.

Os objetos que deixaram a casa vazia de alguns membros da equipe de arte do filme, como demonstram os agradecimentos ao final da exibição, não conseguiram preencher a alma de Nome Próprio (2007) do diretor Murilo Salles.

A própria Clarah Averbuck, escritora de “Máquina de Pinball” e “Vida de Gato”, livros dos quais o filme faz livre referência, também não o achou suficiente.

Indiferente, pois Averbuck parece nem mesmo gostar dela própria. Se é que ela consegue isso ou tenta transmitir em seus blogs e seminário que participou em Belo Horizonte. Como afirma “não escreve para ninguém, simplesmente é uma necessidade…”

A atriz Leandra Leal esbanja maturidade na protagonista Camila, no entanto a direção não contribui. Cenas de nudez gratuitas, exposições de atuações desnecessárias, como a cena em que Camila toma banho e o ralo entope. Talvez uma metáfora ao esgoto concentrado da vida da protagonista.

Em contrapartida, “culhões” realmente é o que não falta a Camila: nunca ter teto próprio, se esbaldar em remédio, cigarros e bebidas para ser uma escritora. Definitivamente precisa de coragem para saber se deteriorar a custa de outros. Julgar é uma merda, mas definitivamente nada me foi deixado por nome próprio a não ser dar nomes…

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